Resumo do livro “O Príncipe” de Maquiavel.
Conhecendo o autor.
Nicoló Di
Bernardo Dei Machiavelli ou simplesmente Nicolau Maquiavel foi um italiano
nascido em Florença no dia 3 de maio de 1469, membro de uma família simples e
de poucos recursos econômicos. Apesar do profundo conhecimento político e
histórico que possuía e de falar e dominar o latim, Maquiavel nunca chegou a
frequentar uma universidade. Exerceu os cargos de chanceler e secretário das
Relações Exteriores da república de Florença. Sua obra mais famosa é a que será
analisada, O Príncipe, escrita entre
1513 e 1516. Foi um dos principais defensores do Absolutismo vigente na Europa,
Maquiavel morreu pobre e depressivo em 1527 na mesma cidade em que nasceu.
O Príncipe de Nicolau Maquiavel.
O autor faz uma breve definição e cita as duas e únicas –
ao seu ponto de vista – formas de governo pelos quais os governantes exercem
autoridade sobre o povo, a República e a Monarquia (Principados), capazes de
estabelecerem a ordem política na sociedade.
Analisando o passado dos países que adotaram a monarquia
como sistema político, percebe-se um equívoco na afirmação de Maquiavel, pois
ao relacionarmos a monarquia com as questões sociais percebe-se que a
estratificação social é o principal impacto que a maior parte da sociedade
sofre através da fome, miséria, repressão e a concentração de poderes e capital
nas mãos de um soberano que se dizia legítimo representante do povo, mas nada
fazia para o “povo”.
A República apesar de estar associada à democracia e
coisa pública como prega a sua tradução nominal, também possui controvérsias no
que tange à participação popular na política e os direitos sociais, como golpes
e regimes ditatoriais que ocorreram em países “republicanos”.
Maquiavel pode até estar certo em acreditar que os
regimes políticos mencionados são capazes de estabelecerem a ordem política na
sociedade, mas enquanto representante e protetor social, o estado, seja
monárquico ou republicano, não cumpre eficientemente a função que lhe
compete.
O autor dar atenção às monarquias em detrimento da
República, pelo fato de esta ser abordada em outra obra de sua autoria, Discursos sobre a Primeira Deca de Tito
Lívio. Afirma que o principal fator que poderá manter o monarca (príncipe)
no poder será a capacidade extraordinária de fazer com que os seus súditos o
ame e seja admirado por todos.
Explica as facilidades e dificuldades que o monarca pode
se deparar ao conquistar e unir novos territórios. A facilidade está associada
à conquista de territórios com costumes semelhantes, onde o conquistador deve
fazer com que a linhagem do antigo príncipe seja extinta e não alterar as suas
leis nem os impostos. A dificuldade está associada à conquista e união de
territórios com costumes diferentes, sendo essencial o monarca habitá-los para
que a ordem seja mantida, usando a força e a violência se fosse preciso para
que a lei seja cumprida.
De acordo com as ideias citadas, Maquiavel acreditava que
o soberano deveria agir contra os princípios morais para permanecer no poder,
manipulando os mais fracos em troca de apoio em caso de guerras, agir contra os
mais fortes que questionavam seus poderes, combater os estrangeiros invasores,
habitar o país e instalar colônias, as principais fontes de riquezas.
Maquiavel explica a estabilidade política durante o
governo dos sucessores de Alexandre, afirmando que a união entre os sucessores
foi o principal motivo que fez com que o reino de Dario não se rebelasse e
proporcionasse a integridade político-social.
No livro são citadas as principais estratégias que um
governante deve adotar ao conquistar um espaço que antes já tinha suas leis e
costumes consolidados, tais como “o
primeiro, arruiná-los; o outro, ir habitá-los pessoalmente; e o terceiro,
deixa-los viver com suas leis, arrecadando um tributo e criando em seu interior
um governo de poucos, que se conservam amigos...”. A terceira estratégia é
bastante notável na atual conjuntura em que estamos inseridos, onde a presença
de oligarquias nos estados brasileiros é um dos principais fatores responsáveis
pelo atraso de determinadas regiões, a exemplo do Maranhão, onde a oligarquia
Sarney dominou o estado por um longo período e o fez de “fundo de quintal” ou
“curral eleitoral”.
Maquiavel ressalta as dificuldades encontradas pelo
governante ao conquistar o poder e a responsabilidade administrativa de um novo
estado, encontrando forte oposicionistas que se beneficiavam com o governo
anterior e mais uma vez justifica o uso da violência para legitimar seu poder
enquanto líder.
Um fato interessante mencionado na obra foi a ascensão
política através do dinheiro e a dificuldade de quem o utiliza em se manter no
poder. Nicolau afirma “que tal modo pode
fazer conquistar o poder, mas não a glória”, prova da autenticidade de
Nicolau Maquiavel em analisar a sociedade de sua época sob um viés futurista,
pois os líderes mais reconhecidos por suas condutas e eficiente capacidade de
liderança não necessitaram de qualquer recurso econômico, a exemplo de Mahatma
Gandhi que destacou-se por sua extrema simplicidade e oposição à exploração
britânica em relação ao seu país.
Os ideais maquiavélicos já ressaltam os princípios
democráticos como algo que existe naturalmente entre o povo, que questiona e
contesta os valores e regras que lhes são impostos, onde “o povo não quer ser mandado nem oprimido pelos poderosos”.
Quanto aos gastos públicos, Maquiavel afirma que “Um príncipe deve gastar pouco para não
precisar roubar seus súditos...”. Esta é sem dúvida a afirmação que mais se
relaciona com a presente política mundial, pois é notável que o desvio de
verbas públicas aliado à corrupção são os motivos do ceticismo presente na
opinião dos cidadãos diante do papel da política como símbolo da democracia,
como o estereótipo de que “ Todo político é ladrão” e a descrença na capacidade
do Estado em promover o bem-estar social.
A concepção que temos de ser “Maquiavélico” refere-se às
medidas ardilosas e severas que o autor cita durante a obra: “ É muito mais seguro ser temido do que amado”
, “Um príncipe não necessita ser, mas deve aparentar ser piedoso, fiel, humano,
íntegro, religioso.”, “ Um príncipe é obrigado, para manter o Estado, a agir
contra a fé, contra a caridade, contra a humanidade e contra a religião”. Daí
percebe-se, que para Maquiavel, a lealdade, o respeito e a confiança são os
pilares que todo governante deve conquistar de seu povo.
Concluindo, “O Príncipe” é o verdadeiro manual que grande
parte dos políticos segue como meio de manipular as massas e permanecer no
poder.
Até o próximo!

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