quinta-feira, 7 de maio de 2015

O que aconteceu com o maior país católico do mundo?*

Um breve conceito de religião e sua função na sociedade.
     As várias religiões existentes no mundo têm como principais finalidades servirem de elo ou ponte de ligação entre um deus ou deuses e ligar pessoas que compartilham uma crença numa divindade. Relacionando a religião ao seu real significado, surgem equívocos sobre teísmo e ateísmo, pois geralmente as pessoas associam religião com fé, sendo importante a correta interpretação sobre o tema. Daí surge o estigma referente às pessoas que não possuem religião, sendo estas classificadas “incorretamente” como ateus, já que existem indivíduos que não se enquadram em nenhum grupo religioso, mas que acreditam em um deus e seguem os princípios religiosos.

Brasil: Católico desde o nascimento.
      No início da colonização portuguesa no Brasil o país era chamado pelos colonizadores como Terra de Santa Cruz, revelando desde o princípio a relação entre a Contrarreforma empreendida pela Igreja Católica e suas intenções de propagar a fé católica no Novo Mundo. É importante ressaltar a intensa relação política, econômica e social entre a Igreja Católica e a Coroa Portuguesa durante a colonização no Brasil, por tal motivo o Catolicismo foi durante quase 400 anos a religião oficial do país, como pregava a Constituição de 1824.
      Devido à mistura racial e a existência de costumes heterogêneos presentes no Brasil colônia, o catolicismo praticado no Brasil era diferente de sua origem europeia, sendo necessária a adaptação aos costumes locais e a integração entre as práticas hereges e as missas cristãs. Surge assim o mito da harmonia social entre os variados grupos sociais no Brasil e que faz parte da identidade nacional até os dias de hoje.


A perda da hegemonia católica no Brasil.
       Atualmente a principal ameaça à hegemonia católica no Brasil é a proliferação de igrejas pentecostais que questionam a supremacia do catolicismo no país, pregam a igualdade das religiões perante o estado e participam da luta pela solução dos problemas de ordem social, conquistando cada vez mais novos fieis. Dentre as igrejas mencionadas destaca-se a Igreja Universal do Reino de Deus, forte oposicionista da Igreja Católica e que lota estádios e templos em todo o Brasil.

Igreja Católica x Ditadura Militar.
       Dentre as principais causas sociais nas quais a Igreja Católica está inserida destaca-se a atitude de membros da igreja que se posicionaram de forma contrária ao regime militar vigente no Brasil durante 21 anos (1964-1985). Por ser considerada a única instituição que podia questionar e contestar a tortura e assassinatos cometidos pelos militares, e que não era impedida de se expressar, a Igreja passou a representar a voz do povo.

Movimento Carismático.
      Como resposta aos movimentos reacionários surge o Movimento Carismático dentro da Igreja Católica que se expressa de forma semelhante às Igrejas Pentecostais, permitindo a expressão de emoções e sentimentos e tendo os jovens como seus principais adeptos. O Movimento representa a inovação e adaptação do catolicismo na atualidade.

*O artigo foi desenvolvido de forma objetiva, não critico ou me oponho às igrejas citadas.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Capital Cultural segundo a visão de Pierre Bourdieu.

Na atual conjuntura político-social na qual estamos inseridos, o capital torna-se cada vez mais um fator determinante na posição social ocupada pelo indivíduo, e consequentemente nos privilégios que as classes sociais de alto poder aquisitivo desfrutam. Para Bourdieu o mesmo processo está inserido na área da educação.

A educação e capital cultural, assim como o capital econômico, tem o poder de segregar as classes sociais de acordo com o nível de conhecimento que os alunos possuem, pois é notável que aqueles que frequentaram boas escolas – em geral as privadas e federais - e tiveram melhores oportunidades se sobressaem em relação aos desprovidos de tais benefícios. Para o autor, a escola, ao selecionar os “melhores” exclui os que não possuem o dito capital cultural.  

O processo de exclusão na escola baseado no capital cultural realiza-se através da entrega de prêmios em competições, avaliações e vários processos avaliativos. Geralmente os “vencedores” serão os detentores de capital cultural. Essa distinção também interfere na análise dos professores em relação aos alunos, onde os educadores distinguem claramente os alunos brilhantes dos alunos apagados.        

O capital cultural possui três classificações: O capital cultural incorporado, que está relacionado aos aspectos subjetivos da pessoa, como as características biológicas do indivíduo, não podendo ser compartilhado. O capital cultural objetivado, que está relacionado à cultura propriamente dita e ao capital econômico, podendo ser compartilhado. O capital cultural institucionalizado que o indivíduo adquire através de títulos, como acadêmico e escolar.