quarta-feira, 10 de junho de 2015

Miscigenação x Teorias Racistas – Contexto brasileiro.

      

Reflexos da colonização portuguesa no “paraíso” que hoje conhecemos como Brasil se fazem presentes durante toda a evolução histórica do país e geram marcas que constituem a brasilidade aliada ao jeito de ser do brasileiro. Como marcas impregnadas no perfil cultural da nação, a Miscigenação merece atenção especial em virtude de sua notabilidade e forte influência que a mesma exerce na construção política, social e cultural do país.
     Quando a Coroa Portuguesa demonstrou real interesse sob a colônia (Brasil) e promoveu uma colonização de fato, a presença europeia no Novo Mundo legitimou-se e deu início à fusão racial que atualmente denomina-se “Miscigenação”, originando termos como mulato e pardo. Tal processo explica a complexidade cultural pertencente ao Brasil e a heterogeneidade de costumes que constituem um povo que aprecia pratos desde o simples arroz com feijão até o famoso churrasco gaúcho, e que dança samba, mas não deixa de cantar rock.
     No século XIX, começaram a ser disseminadas as teorias racistas norte-americanas e europeias no Brasil sob um viés determinista, que acreditava no meio social como determinante da personalidade de cada indivíduo. É importante ressaltar que as teorias mencionadas não se posicionavam contra uma determinada raça, não eram contra o negro, o branco ou o índio, mas se opuseram à união destas raças. Pregavam o isolamento racial, onde brancos deveriam casar somente com brancos e assim também deveria ocorrer entre as demais raças. Prova da ignorância do homem em acreditar na raça como fator determinante de superioridade, logo num país que já nasceu multicolorido e que possui a desigualdade como essência: Desigualdade Cultural, Desigualdade Racial, Desigualdade Social, Desigualdade de Gêneros e mais desigualdades.

Até o próximo!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Resumo do livro " O Príncipe" de Maquiavel.

Resumo do livro “O Príncipe” de Maquiavel.
Conhecendo o autor.
  Nicoló Di Bernardo Dei Machiavelli ou simplesmente Nicolau Maquiavel foi um italiano nascido em Florença no dia 3 de maio de 1469, membro de uma família simples e de poucos recursos econômicos. Apesar do profundo conhecimento político e histórico que possuía e de falar e dominar o latim, Maquiavel nunca chegou a frequentar uma universidade. Exerceu os cargos de chanceler e secretário das Relações Exteriores da república de Florença. Sua obra mais famosa é a que será analisada, O Príncipe, escrita entre 1513 e 1516. Foi um dos principais defensores do Absolutismo vigente na Europa, Maquiavel morreu pobre e depressivo em 1527 na mesma cidade em que nasceu.

O Príncipe de Nicolau Maquiavel.
O autor faz uma breve definição e cita as duas e únicas – ao seu ponto de vista – formas de governo pelos quais os governantes exercem autoridade sobre o povo, a República e a Monarquia (Principados), capazes de estabelecerem a ordem política na sociedade.
Analisando o passado dos países que adotaram a monarquia como sistema político, percebe-se um equívoco na afirmação de Maquiavel, pois ao relacionarmos a monarquia com as questões sociais percebe-se que a estratificação social é o principal impacto que a maior parte da sociedade sofre através da fome, miséria, repressão e a concentração de poderes e capital nas mãos de um soberano que se dizia legítimo representante do povo, mas nada fazia para o “povo”.
A República apesar de estar associada à democracia e coisa pública como prega a sua tradução nominal, também possui controvérsias no que tange à participação popular na política e os direitos sociais, como golpes e regimes ditatoriais que ocorreram em países “republicanos”.
Maquiavel pode até estar certo em acreditar que os regimes políticos mencionados são capazes de estabelecerem a ordem política na sociedade, mas enquanto representante e protetor social, o estado, seja monárquico ou republicano, não cumpre eficientemente a função que lhe compete. 
O autor dar atenção às monarquias em detrimento da República, pelo fato de esta ser abordada em outra obra de sua autoria, Discursos sobre a Primeira Deca de Tito Lívio. Afirma que o principal fator que poderá manter o monarca (príncipe) no poder será a capacidade extraordinária de fazer com que os seus súditos o ame e seja admirado por todos.
Explica as facilidades e dificuldades que o monarca pode se deparar ao conquistar e unir novos territórios. A facilidade está associada à conquista de territórios com costumes semelhantes, onde o conquistador deve fazer com que a linhagem do antigo príncipe seja extinta e não alterar as suas leis nem os impostos. A dificuldade está associada à conquista e união de territórios com costumes diferentes, sendo essencial o monarca habitá-los para que a ordem seja mantida, usando a força e a violência se fosse preciso para que a lei seja cumprida.
De acordo com as ideias citadas, Maquiavel acreditava que o soberano deveria agir contra os princípios morais para permanecer no poder, manipulando os mais fracos em troca de apoio em caso de guerras, agir contra os mais fortes que questionavam seus poderes, combater os estrangeiros invasores, habitar o país e instalar colônias, as principais fontes de riquezas.
Maquiavel explica a estabilidade política durante o governo dos sucessores de Alexandre, afirmando que a união entre os sucessores foi o principal motivo que fez com que o reino de Dario não se rebelasse e proporcionasse a integridade político-social.
No livro são citadas as principais estratégias que um governante deve adotar ao conquistar um espaço que antes já tinha suas leis e costumes consolidados, tais como “o primeiro, arruiná-los; o outro, ir habitá-los pessoalmente; e o terceiro, deixa-los viver com suas leis, arrecadando um tributo e criando em seu interior um governo de poucos, que se conservam amigos...”. A terceira estratégia é bastante notável na atual conjuntura em que estamos inseridos, onde a presença de oligarquias nos estados brasileiros é um dos principais fatores responsáveis pelo atraso de determinadas regiões, a exemplo do Maranhão, onde a oligarquia Sarney dominou o estado por um longo período e o fez de “fundo de quintal” ou “curral eleitoral”.
Maquiavel ressalta as dificuldades encontradas pelo governante ao conquistar o poder e a responsabilidade administrativa de um novo estado, encontrando forte oposicionistas que se beneficiavam com o governo anterior e mais uma vez justifica o uso da violência para legitimar seu poder enquanto líder.
Um fato interessante mencionado na obra foi a ascensão política através do dinheiro e a dificuldade de quem o utiliza em se manter no poder. Nicolau afirma “que tal modo pode fazer conquistar o poder, mas não a glória”, prova da autenticidade de Nicolau Maquiavel em analisar a sociedade de sua época sob um viés futurista, pois os líderes mais reconhecidos por suas condutas e eficiente capacidade de liderança não necessitaram de qualquer recurso econômico, a exemplo de Mahatma Gandhi que destacou-se por sua extrema simplicidade e oposição à exploração britânica em relação ao seu país.
Os ideais maquiavélicos já ressaltam os princípios democráticos como algo que existe naturalmente entre o povo, que questiona e contesta os valores e regras que lhes são impostos, onde “o povo não quer ser mandado nem oprimido pelos poderosos”.
Quanto aos gastos públicos, Maquiavel afirma que “Um príncipe deve gastar pouco para não precisar roubar seus súditos...”. Esta é sem dúvida a afirmação que mais se relaciona com a presente política mundial, pois é notável que o desvio de verbas públicas aliado à corrupção são os motivos do ceticismo presente na opinião dos cidadãos diante do papel da política como símbolo da democracia, como o estereótipo de que “ Todo político é ladrão” e a descrença na capacidade do Estado em promover o bem-estar social.
A concepção que temos de ser “Maquiavélico” refere-se às medidas ardilosas e severas que o autor cita durante a obra: “ É muito mais seguro ser temido do que amado” , “Um príncipe não necessita ser, mas deve aparentar ser piedoso, fiel, humano, íntegro, religioso.”, “ Um príncipe é obrigado, para manter o Estado, a agir contra a fé, contra a caridade, contra a humanidade e contra a religião”. Daí percebe-se, que para Maquiavel, a lealdade, o respeito e a confiança são os pilares que todo governante deve conquistar de seu povo.
Concluindo, “O Príncipe” é o verdadeiro manual que grande parte dos políticos segue como meio de manipular as massas e permanecer no poder.
  Até o próximo!